domingo, 14 de julho de 2013

Capítulo 21:



Quando abriram a porta da casa de Joe, Carol e Luc já estavam arrumados na sala esperando-os.
- Sabia que viria! – disse Caroline abraçando Demi. – Se demorarem chegaremos atrasados.
- Por que não tomam banho juntos, já se viram pelados! – disse Lucas.
- Cala boca, Lucas!- disse Caroline.
Nem é preciso dizer que Demi ficou envergonhada com o que o menino falou. O fato é que Lucas ficou chocado com o que havia descoberto, quer dizer, ele já sabia, mas ouvir da boca de Joe e Demi mexia um pouco com ele. Sempre acreditou que fossem amigos e Demi era amiga e como uma mãe para dele.

Demi e Joe subiram para poder se arrumar.
- Ah, Demi, eu ainda não arrume aquele pequeno probleminha do chuveiro.
- Qual problema?
- Da água quente. Dois chuveiros não tem agua quente, só um. Pode tomar banho no quarto de hóspedes com a água quente, eu tomo banho gelado.
- Não acredito que ainda não concertou esse problema! – Demi disse brava.
- É que só Caroline toma banho quente. Só brigamos no frio. – Demi riu.
Quando ia em direção ao quarto de hóspedes, Joe a chamou e correu para beija-la. Obvio, ela não negou, mas era muito cedo para um beijo.
- Joe, você prometeu! – Demi disse quando terminaram o beijo.
- Eu disse amizade sem sexo, eu não disse nada de beijos e nem você.
- Você é impossível! – Demi entrou no quarto.

Pouco tempo depois, estavam todos prontos. Demi e Caroline foram as primeiras a entrarem no carro e Joe segurou Lucas.
- O que está havendo? – Joe perguntou.
- Está falando de que?
- Não precisa ficar falando de mim e Demi do jeito que você está. Demi está ficando encabulado com isso. Essas coisas não se dizem assim, Luc.
- Só me incomoda o fato de vocês já terem feito “isso”.
- Por quê?
- Eu não sei... Só não gostei da ideia. A tia Demi é como uma mãe para mim, é uma espécie de ciúme, mas de um filho. Eu não sei explicar, pai. Eu prometo não dizer mais nada do tipo.
- Tudo bem, mais tarde a gente conversa sobre isso.

A conversa no carro foi agradável.
Chegaram à casa Gomez e só faltavam eles. Os Hemsworth já tinham chegado. Os adolescentes se juntaram na sala, enquanto os adultos estavam na cozinha conversando. Há muito tempo não se juntavam assim para conversa. Sempre tinha um empecilho e nunca conseguiam se reunir, pois desde a briga de Demi e Joe sempre faltava um dos dois.
Logo jantar foi servido e claro, não couberam todos na mesa e os adolescentes resolveram comer na sala. Contra as reclamações de Selly e Mi, mas os pais e Demi deram todo o apoio, mas sem ligar a tevê.
Selly e Mi chamaram Demi para conversar no quarto de Selly e os homens continuaram na sala de estar conversando.
- Conte, agora com sentido!
- Ontem eu, Joe, Caroline e Lucas fomos almoçar no shopping e eu vi Wilmer, meu ex namorado desde ontem, aos beijos com uma loira simplesmente maravilhosa.
- Demi, podia ter nos contado.
- Para que? Para me ver chorando... Prefiro sofrer sozinha!
- É, mas o Joe você chamou. – Selly disse brava.
- Chamou Joseph, Demetria? – Mi perguntou boquiaberta e brava ao mesmo tempo.
- Não, eu não chamei. Acontece que Carol viu o mesmo que eu, contou ao Joe e ele foi atrás de mim, já me conhecendo. Foi fofo da parte!
- Fofo? – Selly perguntou. – Está gostando dele de novo, Demi?
- Como assim “de novo”, Selly? – Mi perguntou sorrindo. – Olhe bem para Demi, ela nunca deixou de gostar dele.
- É Mi está certa, acho que eu sentia por Wilmer uma atração. Ainda sinto para falar a verdade, mas com raiva ao mesmo tempo.
- E o que Wilmer disse sobre isso?
- Não disse.
- Ele não te procurou?
- Me ligou ontem à tarde, mas eu não atendi. Não queria e nem quero falar com ele.
- Ele parecia tão... Perfeito para você, Demi.
- Não existe homem para mim nesse mundo, meus amores. E eu já sei que o meu destino é morrer sozinha e solteira.
- Dramática! – disseram as duas amigas juntas.
- Não está pensando em voltar com aquela “amizade colorida” que você e Joe tinham, né?
- Não. Joe e eu já conversamos sobre isso, Selly. “Amizade sem sexo” como ele diz.
- Isso é bom, assim ele pode pensar melhor e quem sabe ficar com você.
- Mi, Joe não vai querer compromisso nem hoje e nem nunca. Ele não é disso e já sabemos, já descartei Joe há muito tempo, eu só me divertia com ele e ele comigo. Foi bom enquanto durou, agora é só amizade.
Voltaram com os homens para poderem conversar todos juntos.
Eram quase meia noite quando todos decidiram ir embora. A noite estava muito agradável, mas todos tinham trabalhado estavam cansados. Principalmente, Demi e Joe que haviam dormido no sofá.
Joe não estava bêbado, mas tinha bebido o suficiente para Demi não deixa-lo dirigir.
No carro a família, digo; Joe, seus filhos e Demi estava conversando animadamente. Exceto por Caroline que até tentava ficar feliz, mas estava tristonha. Desde a ida Demi tinha percebido certa incerteza nos olhos da garota. Ela não disse nada, para que a menina pudesse dizer o que era, mas ela não disse. Demi estava na duvida entre perguntar ou deixar que a menina conte sozinha.
Quando chegaram a casa Lucas e Caroline deram boa noite ao Joe e Demi e subiram. Demi ainda sentou na sala de Joe e ele ficou em pé olhando para ela.
- O que foi? – ela perguntou quando percebeu que estava sendo observada.
- Não entendo qual a sua obsessão pela sala.
- Eu gosto de sentar e pensar... – ela disse tirando os sapatos. – As salas me ajudam a pensar. São sempre tranquilas durante a noite, tem um clima aconchegante e ela é sempre muito iluminada.
- Você tem razão, mas eu gosto de pensar no meu quarto. Desde o dia que virei pai solteiro, a noite na minha cama é o meu momento.
- Imagino, Joe... Mas eu não tenho filhos. E minhas preocupações e meus problemas são fúteis e eu posso pensar na sala.
- Não foi isso que eu quis dizer.
- E eu não entendi errado. É a minha opinião.
- Só porque não tem filhos, não quer dizer que seus problemas são menores. No seu lugar, eu não sei como eu estaria. Não sei se um bêbado e drogado que transa com todas as mulheres, ou casado e com filhos como todos os homens normais.
- Acho que a primeira opção é mais a sua cara. – Demi riu. Joe saiu do batente que estava escorado e sentou ao lado dela.
- Eu sei... E por isso agradeço à Deus todos as noites antes de dormir, pela família maravilhosa que eu tenho, pelos amigos que me aconselham a ir para um bom caminho e, principalmente, por ter tirado a mãe dos meus filhos da minha vida. Porque se ela estivesse aqui, eu não sei o que seria deles.
- Não pensei em hipóteses, Joe. Durante toda a minha vida eu aprendi que viver de hipóteses não é bom. Quando era adolescente sonhava com a família perfeita e nesse sonho com a minha idade atual seria feliz com a minha família e meus filhos seriam adolescentes como os seus. E veja? Não é isso que acontece. É exatamente o contrario. E quando o tempo foi passando eu tentava imaginar como teria sido se eu tivesse filhos e essas hipóteses me machucavam, pois quando eu acordava via que tudo era uma simples hipótese.
- A sua vez vai chegar, Demi.
- Não acredito mais nisso, Joe. Eu acho que... Não existe esperança. Dessa vez eu quero continuar assim sozinha, pelos menos eu posso sofrer por uma coisa só.
- Se eu disse que estou disposto a te dar um filho.
- O que? – Demi perguntou incrédula. Jamais pensaria ouvir isso.
- Seria perfeito! Eu juro que nem pensaria em pedir a guarda da criança, você ai cria-lo como mãe solteira. E se quisesse, poderíamos nos casar e criar o moleque. O que acha?
Continua...

sábado, 13 de julho de 2013

Capítulo 20



Realmente fizeram tudo junto até chegar a hora de ir embora.
- Vamos Demi?
- Claro. Será que a gente pode passar na minha casa? eu quero tomar um banho antes.
- Claro.
- Demi e Joe! – Selly se aproximou. – Ainda bem que não foram, eu preciso falar com você. Desculpem não ter avisado antes, mas Nick e eu vamos fazer um jantar hoje lá em casa. Só entre nós mesmo. É que hoje estamos completando um mês sem brigas, não é o máximo? – disse Selly contente.
- É fantástico, Selly! – disse Demi. - Fico feliz que estejam se acertando.
- Será uma coisa simples, só que no meio desse monte de coisa eu... Esqueci de falar com vocês. E como amanhã é feriado para todos nós, é um ótimo dia para comemorar sem pensar em trabalho. Vocês vão, não é mesmo?
- Claro que iremos! – disse Joe.
- Como anda sua matéria, Demi?
- Está decolando! Tive dificuldade, mas eu estou conseguindo agora. Já terminei, mas vou dar uma última olhada antes de te entregar.
- Ai, não sabe como fico aliviada de ouvir isso, Demi.
- Eu posso imaginar.
- Faltam pouco tempo para o lançamento dessa edição e o senhor Willians estava me perguntando sobre a sua parte.
- Ele é muito chato, hien. – Joe disse.
- Eu concordo, mas... Alguém tinha que se preocupar. Depois quando a Demi me contou que estava com dificuldade, eu quase morri. Ainda teve o ontem que ela saiu mais cedo. Falando nisso como está, Demi?
- Ótima.
- Ontem você estava tão triste. Ficar sozinha te fez bem?
- Não, eu não fiquei sozinha.E se tivesse ficado teria enchido a cara.
- Joe ficou comigo ontem.
- Ah, entendi... Vocês voltaram a conversar?
- Sim, Selly voltamos a conversar.
- E Wilmer? – Selena perguntou lembrando-se que Wilmer não gostava nem um pouco de Joe.
- Morreu. – Demi respondeu normalmente. – Selly, eu agradeceria se não tocasse no nome dele.
- O que houve? Brigaram de novo?
- Não, nós terminamos mesmo.
- Por isso, que estava daquele jeito ontem?
- Selly, mais tarde eu te conto toda a história. Agora eu preciso me arrumar para o seu jantar, ou quer que eu chegue assim?
- Ah, tudo bem, mas depois eu quero saber de tudo.

No carro, Joe levava Demi para casa.
- Demi, eu sei que eu já me intrometi demais na sua vida, mas tem uma coisa me intrigando. Você disse a Selly que você e Wilmer tinham terminado, mas você não me disse isso.
- Joe, uma traição eu não perdoo, sabe disso.
- Sei, mas... Você me disse que não tinham se falado desde ontem.
- E nem quero falar com ele.
- E ainda usa a aliança que ele te deu.
- Oh, nem havia percebido. – Demi tirou a aliança prateada do seu dedo com o nome “Wilmer” e a jogou pela janela. Joe estava feliz com isso, mas tentou não mostrar. – Obrigada por me lembrar.
- Nada. – o celular de Joe tocou. Era Caroline. – Pode atender para mim, Demi.
- Celular de Joe Jonas. – brincou Demi sabendo que era Carol.
- Demi?
- Sim. Seu pai está dirigindo, não pode falar.
- Ah, ótimo. Era com você mesmo que eu queria falar, só não tinha certeza se estava com meu pai.
- Diga, então.
- Bom, acredito que tia Selly ligou para você avisando do jantar, certo?
- Sim, sabemos do jantar, por quê?
- Eu e Lucas queremos saber aonde vocês vão se trocar.
- Como?
- Bom, papai está te levando em casa, certo? – Demi murmurou um “Uhum”.- Então, você podia pegar a sua roupa e se arrumar aqui e iriamos todos juntos.
- Por que isso agora?
- Só queríamos ir com você, tem algum mal? Ou também podemos trocar na sua casa. Você quem sabe.
- Carol, não há necessidade, eu...
- Você tem carro e casa, nós sabemos. Só achamos que ia ser divertido.
- Eu vou conversar com seu pai, mesmo sabendo essa sua proposta muito estranha, Caroline.
- Tudo bem, ele vai aceita do mesmo jeito. Tchau! Esperamos-te aqui! – a menina desligou sem a despedida de Demi.
- Sua filha ficou maluca! Ela está tramando alguma coisa.
- O que ela fez dessa vez?
- Bom, ela disse que é para eu pegar minha roupa e me arrumar na sua casa assim poderíamos ir todos juntos. Disse que seria divertido. Ela só pode estar louca.
- Realmente, vai ser interessante e Caroline só esta querendo recordar do tempo que você sempre ia lá para casa, Demi. Nós sabemos o motivo e eles não.
- Está falando da época que nós... Joe, eles disseram que sabiam.
- É, Demi. Eles gostavam disso, só querem lembrar ou reviver. Eles sentiam a sua falta mesmo indo todos os finais de semana lá. Você vivia lá em casa e a gente sempre na sua casa. Quando tinham esses jantares, você sempre ia lá pra casa, lembra? Principalmente, quando os pequenos eram realmente pequenos e não sabiam se arrumar sozinhos e eu fazia tudo sozinho. Sozinho, não. Com a sua ajuda! Ah, vai ser divertido... Vamos?
- Tudo bem, Joe. Você me convenceu! Mesmo achando isso uma tremenda besteira!
- Não vai me dizer que não sentiu saudades?
- Claro que senti, Joe. Mas... Nós não precisamos voltar a ser amigos do jeito que éramos com sexo e tudo. Vamos tentar ser amigos normais dessa vez?
- Sim, Demi. Eu aceito a sua proposta, mas eu adoraria que dormisse lá em casa às vezes. Não precisa ser no meu quarto, Senhorita. Sabe que eu tenho um quarto de hóspedes. Só acho que seria legal! Você passa muito tempo naquela casa sozinha.
- É verdade. Antes eu tinha o Wilmer, mas agora... Estou sozinha de novo.
- Não está sozinha, porque eu estou com você. Tem muita gente ao seu lado, Demi.
Joe parou em frente a casa de Demi e entrou com ela.
- Quer ajuda?
- Não, vou pegar só uma roupa simples e algumas coisas necessárias.
- Aceita dormir lá em casa hoje?
- Por que hoje?
- Me deu vontade de fazer o convite hoje e sem contar que amanhã é feriado. Vai ficar sozinha no feriado?
- Ok, Joe. Você me convenceu mais uma vez. Espero que não tenha nada diabólico na sua mente.
- Eu juro que é amizade sem sexo! – Joe gritou quando Demi já estava no quarto.
Ela arrumou uma pequena mala, demorou um tempo, mas conseguiu arrumar tudo o mais rápido que pode. Logo já estavam no carro a caminho da casa de Joe.
- Caroline e Lucas ficarão muito felizes. – disse Joe já trasbordando de alegria.


Capítulo 19:


O sol estava nascendo e na radio baixinho agora tocava músicas para um bom dia. Demi havia dormido com Joe no sofá, só abraçados. Nada de perverso havia acontecido ali. Só o desabafo de uma mulher para um amigo. Joe mal dormiu, ficou fazendo carinho na sua princesa o tempo todo. Depois que Demi pegou no sono, Joe mandou uma mensagem para Caroline dizendo que Demi estava melhor.
Não se atreveu a levantar do sofá, sabia que se Demi acordasse voltaria a chorar e não dormiria mais. Demorou um bom tempo para ela dormir.
O sol estava tão forte que ao batendo no rosto de Demi, ela acordou. Sentia seu rosto inchado ainda. Olhou para Joe, que estava acordado olhando-a e sorrindo.
- Bom dia! – ela disse e sorriu.
- Bom dia! – e ele retribuiu o sorriso.
- Por que ficou aqui a noite toda? Podia ter ido para o quarto, ou voltado para casa.
- Queria ficar perto de você.
- Obrigada. – Demi beijou a bochecha de Joe e o abraçou. – Você é o melhor amigo que alguém poderia ter.
- Eu que agradeço. Antes de vir achei que você ia me expulsar daqui. Eu estava preocupado com você. – levantaram do sofá. – O dia está bonito hoje. Ótimo para um passeio, o que acha?
- Bom, temos que trabalhar hoje, Joe. – Demi riu, de verdade.
- Não. Eu queria mesmo era te convidar para jantar lá em casa, mas eu estava querendo antes saber como você estava realmente.
- Eu não vou ficar triste para sempre. Já superei! – disse de verdade.
- Tem certeza?
- Tenho. Olha, para mostrar que estou bem, vou aceitar seu convite e ainda vou te convidar para um almoço hoje, mas dessa vez eu pago.
- Tudo bem, então, acordamos, vamos tomar café da manhã, trabalhar, almoçar e jantar juntos? – Demi concordou.
- Só falta dormimos juntos de novo.
- Esse convite é tentador, Joe, mas eu vou recusar. – riram. – Bom, temos pouco tempo. Você ainda tem que levar seus filhos à escola e eles nem devem saber que está aqui.
- É mesmo. Caroline sabe que estou aqui.
- Vai tomar banho, ou pretende trabalhar fedendo? – Joe correu para tomar banho.
Demi começou a preparar o café e realmente não estava tão triste como estava na noite passada. Acostumou-se com a ideia de ficar sozinha, afinal, não devia ser tão ruim assim. Pegou o telefone para ligar para a casa de Joe, talvez Caroline ou Lucas estejam acordados e se não estivessem já estava na hora, afinal, tinham escola.
- Oi. – Demi ouviu a voz rouca de Lucas.
- Lucas, é Demi.
- Oi, tia Demi. Papai não está em casa. – o menino declarou.
- Me dá esse telefone! – gritou Caroline tomando o telefone do irmão que mal tinha acordado. – Tia Demi?
- Oi, Carol!
- Papai está ai com você, não é?
- Sim, pensei que ele tivesse avisado.
- E tinha, mas... Vai saber!
- Bom, eu liguei para vocês acordarem e se aprontarem para a escola, mas venham para cá para tomarmos café da manhã.
- Tudo bem, vou tentar acordar o retardado do meu irmão que está dormindo de novo no sofá.
- Não demorem o tempo não espera.
- Vou levar uma roupa para o papai também.
- Ótima ideia! Espero vocês.
- Tchau, tia Demi. – desligou o telefone.

Joe desceu as escadas com a toalha enrolada no cintura e com outra enxugando os cabelos. Era tentador para Demi e ela sabia que ele fazia isso de proposito, alias, sempre fazia.
- Vai ficar desfilando desse jeito pela casa?
- Não, princesa. Eu vim saber se não tem algo que eu posso usar até eu ir para casa.
- Não precisa correr, seu pai desnaturado. Seus filhos virão para cá e Caroline trará uma roupa para você.
- Ideia sua?
- A roupa foi ideia dela, mas do café é minha. Joe, você pode terminar o café, enquanto eu tomo banho?
- Claro. Vai lá!
Lucas e Caroline chegaram e Demi tinha acabado de tomar banho e se arrumar por completo. A casa de Joe não era longe dali, por isso foram rápidos.
- Vocês dormiram juntos? – perguntou Lucas.
- Lucas! – Carol repreendeu o irmão. Demi e Joe riram.
- Depende do que você está insinuando. – Demi disse. – Joe e eu somos amigos, acha que iriamos dormir do jeito que estão pensando? Joe só foi meu amigo e me ajudou no momento difícil.
- Bom, é que antes você dormiam desse jeito. – disse Lucas levando um beliscão da irmã.
- Como?
- Já que Lucas fez o favor de começar... – Caroline continuou.- Acontece que estamos falando de mais ou menos dois anos atrás. Acham que nós não sabíamos? De repente a tia Demi aparecia para tomar café? Não somos tão ingênuos assim.
Realmente Joe e Demi ficaram desconcertados com aquela informação. Achavam que escondia muito bem, mas na verdade estavam enganados. E muito bem enganados.
- O fato é que essa noite nós não fizemos nada do que essas mentes malignas estão pensando. – Demi disse.
- E eu acho que não deviam pensar nessas coisas estão novos para isso.
- Bom, aí eu tenho que descordar Joe. Eles tem quinze anos. Existem crianças dessa idade que tem filhos.
- Por isso que eles não devem pensar. Olha para mim, Demi. – Joe pediu. – Tenho cara de avô? – riram.
- Não, não tem cara de avô. E melhor que não pensem em fazer sexo! – Demi disse seria. – Vocês ainda podem ficar na fase dos beijos, não há nada mal nisso.
- Sexo só depois do casamento! – disse Joe sério.- E quando digo casamento, estou falando de algo para daqui a vinte anos ou mais.
- Esse assunto, está me deixando nauseada pela manhã. – disse Caroline. – Tudo culpa do Lucas! – deu “pedala” no irmão.
Alguns minutos mais tarde, Joe estava se preparando para levar seus filhos a escola.
- Demi, vamos no mesmo carro. Iremos fazer tudo juntos mesmo. – disse e Demi aceitou a carona.



Capítulo 18


Na casa de Joe, Caroline estava entre o desespero e o arrependimento. O que ela deveria fazer agora? Era culpa dela Demi ter visto Wilmer, mas ela parecia tão tranquila, pensava Carol.
Talvez ela nem ligasse para traição, ou talvez não gostasse de Wilmer e por isso não ligou. Será que eles já conversaram? Será que Demi estava bem? Ela se fazia milhares de perguntas e não conseguia pensar em nenhuma resposta que não fosse um “talvez”.
- O que aconteceu Caroline? – perguntou o pai da garota vendo seu nervosismo desde a hora que ele chegou.
- Demi vem jantar aqui? – perguntou a menina esperançosa.
- Bom, no almoço ela disse que viria, mas depois ela disse que ia me ligar. Eu não sei, meu anjo. Por acaso quer conversar com ela?
- Não, não é isso. É que... – Será que devia contar ao pai? Ou Demi ficaria magoado por ter contado um segredo. Ela não pediu segredo, mas o certo era não contar ou seria fofoca. – Esquece, pai!
- Querida, eu sei que sou homem e seu pai e por isso é difícil para você me contar as coisas, mas você pode confiar em mim.
- Eu sei que eu posso, pai.- a menina respirou fundo sussurrando um “Espero que Demi me perdoe!” e depois perguntou. - Você e Demi voltaram a ser amigos?
- Tudo indica que sim.
- Então, se eu te contasse uma coisa dela, tipo um segredo, ela iria ficar zangada.
- Depende, meu bem.
- Bom, como posso explicar... Papai, eu estou preocupado com ela. Lembra-se da conversa que você Lucas e eu tivemos?
- Claro que lembro, sobre o namorado dela e traição.
- É... Você disse que ela só acreditaria se visse com os próprios olhos. Bom, isso aconteceu. Hoje no almoço quando Demi eu fomos ao banheiro, ela viu Wilmer aos beijos com uma mulher loira.
- O que ela fez? Por que ela não disse nada?
- É isso que me deixa preocupada, papai. De alguma forma, eu sei o que ela está mal, mas ela não mostrou isso nem no momento que ela viu. Isso me preocupa! Eu não sei se ela se fez de boba, ou se ela queria ser forte na minha frente... Estou preocupada com ela.
- Por isso, que ela saiu mais cedo hoje.- Joe parecia juntar algumas peças. – E provavelmente, não vem ao jantar, Carol. – Joe pareceu lembrar de algo e depois praguejou.- De novo!
- O que foi, papai?
- Carol, será que você e seu irmão podem ficar sozinhos um tempo?
- Se for para ir atrás da tia Demi e me dar notícia, podemos. Mas se for para ir atrás daquela va... Daquela sua namorada, não podemos.
- Ashley e eu terminamos ontem.
- Sério? – perguntou a menina contente. – Juro que foi a melhor coisa que você fez. – Caroline olhou para seu pai. – O que está fazendo aí parado? Vá logo atrás da tia Demi, veja se ela está bem e me dê noticias. – Joe riu.
- Olha, tem comida pronta na geladeira e só colocar no micro-ondas. Não mecham no fogo, ouviu?
- Tá achando que eu tenho dez anos?
- Não, mas é melhor prevenir. - Joe saiu.

Demi estava no seu quarto andando de um lado para o outro, não chorava mais, mas estava muito abatida. Sentia falta de uma coisa que ela sabia muito bem o que era: seu companheiro de todos os momentos tristes: o vinho.
Já havia parado de bebê-lo há muito tempo, quando percebeu que estava ficando dependente dele, mas naquele momento era o que ela precisava. Dele ou talvez de uma bebida mais forte. Ninguém se importaria, alias ninguém se importa com o que ela faz da vida dela. Precisava mesmo era de sua mãe naquele momento.
Tirou aquela blusa folgada e colocou uma mais apropriada para ir ao mercado de seu bairro. Colocou um casaco que era conjunto da calça de moletom que ela usava, alcançou um óculos qualquer, só para ninguém ficar olhando seus olhos inchados e avermelhados, pegou as chaves entrou no carro e deu a partida.
Não demoraria nem três minutos, mas andar não era o que ela queria naquele momento.
No mercado, tentou ficar despercebida, mas ela mesma sabia que isso seria impossível. Era tão simpática e amável que todos que trabalhavam naquele mercadinho a conhecia.
Na seção de bebidas pegou quatro garrafas de vinho, era muito, mas ela não queria voltar tão cedo. Depois, teve vontade de pegar os chocolates, mas... se conteve ao máximo. Não precisava copiar os filmes, só o vinho estava ótimo.
- Olá, Demi!
- Oi. – Demi respondeu somente.
- Como está? – porque todo mundo fazia a mesma pergunta?
- Bem. – Demi pegou a sacola e saiu rápido do mercado antes que alguém a visse.

Entrou em casa e pegou a taça, abriu uma garrafa e solveu um pouco de vinho na taça. Bebeu numa golada só para matar a saudade e depois colocou mais um pouco e foi para sala. Não tinha mais vontade de chorar, nem de ver tevê. De certo, o vinho ajudou bastante. Ligou o som na radio de sempre e sentou no sofá com as pernas sobre a mesa de centro e deitou a cabeça para trás. O som estava estupidamente alto cantando uma música agitada. Ela não sabia quem eram os cantores, era uma banda com certeza, e nem tinha ouvido a musica. Prestou a atenção na música para poder se distrair, mas a música falava de sonhos e incertezas. E uma lágrima resolveu descer.
Joe estacionou o carro na frente da casa dela, ouvindo aquela música alta. Demi devia estar péssima, pensou Joe.
Ele tocou a campainha, mas o som estava muito alto, ela não ouviria e se ouvisse não ia atender. Joe girou a maçaneta e a porta só estava encostada. Entrou e viu só a cabeça ruiva de Demi deitada no sofá, aproximou-se devagar e viu o que tinha em mãos, o vinho que tanto lutou para largar.
- Demi. – Joe chamou, mas ela não ouviu. O som estava muito alto. Nem ele ouvia sua voz.
Ele se aproximou do som e o abaixou. Agora parecia sussurro. Demi olhou para Joe, mas não assustou com a presença repentina dele.
- O que houve, minha princesa? – ela sabia que não podia mentir, não para o Joe. – Está tão triste... O que fizeram com você?- Joe sentou ao lado dela, e ela deitou a cabeça em seu colo. Ele fez carinho sentindo-a soluçar.
Mesmo negando a ajuda de todos e dizendo que estava bem, com Joe era diferente. Ele era diferente, ele saberia e a ajudaria sem sentir pena.
- Caroline me contou o que você presenciou hoje. – Demi levantou e olhou para Joe. – Sabe que pode contar comigo sempre não sabe?
- Sei. – foi a primeira vez que Joe ouviu aquela voz tão chorosa e sofrida. – Eu não quero mais chorar, mas eu não consigo parar, Joe.
- Se você desabar você consegue parar.
- Não sei se eu consigo. Estou sentindo tanta coisa que ao mesmo tempo não sinto nada. – Demi tomou o resto do vinho que estava na taça. – Parece que tudo acabou, Joe. Era minha última esperança e se foi... Eu nasci para ficar sozinha. Eu devo merecer isso. Esse é o meu destino, viver para sempre sozinha.
- Não deve ser assim. Deve ter uma pessoa, mas vocês devem ter dificuldade para se encontrar, mas um dia isso vai acontecer e vocês vão ser felizes.
- A felicidade tem medo de mim, Joe. Quando eu tenho algo que pode me fazer feliz, ela simplesmente vai embora sem se importar com o que eu sinto. – ela respirou fundo. – Desde a minha adolescência, Joe. Aqueles garotos nunca quiseram um compromisso serio, enquanto eu dava tudo de mim para dar certo e depois que ele conseguiam o que queriam, iam embora. Acho que eu já sofri de mais, sabe? Não sei porque não parei de tentar ainda.
-  Não parou de tentar, porque você não perdeu as esperanças e não vai perder.
- Vou perder sim, Joe. Eu tenho trinta e cinco anos e meu período de fertilidade está acabando. Até eu encontrar esse homem que você disse que está me esperando... Já vai ser tarde de mais.
- Você está assim, só porque não pode ter um filho? – Joe perguntou.
- Sim, quer dizer, mais ou menos. Já conversamos sobre isso, Joe. Meu sonho é ter uma família, ter filhos brincando no quintal da minha casa e ser feliz com meu marido. Há essa altura, eu desisti. Não tem mais salvação para mim. Minha ginecologista me disse que tenho pouco tempo. – uma lágrima caiu e Demi a limpou. – Eu ia conversar com Wilmer e ia saber se ele gostaria de ter filhos, iriamos tentar. Só que... ele nunca me deixava tocar nesse assunto. Sempre dizia que era perda de tempo, pois já estávamos velhos para isso. – outra lágrima rolava nos olhos dela. – Nem pensar em casar ele deve ter pensado.- e caiu mais outras lagrimas acompanhadas. - Não estou chorando por ele, Joe. Estou chorando por não conseguir ser feliz e fui ingênua o suficiente para qualquer homem poder me enrolar, entende? – disse de repente. - Não sei mais se eu o amava.
- Não diz isso. Você está confusa agora e com raiva dele. – Demi não disse nada, concordando com o que ele dizia. – Ainda tem tempo para ter filhos, Demi. – ele a abraçou.


Capítulo 17:



Quando faltavam quinze minutos para às seis, Demi sabia que não aguentaria mais. Foi até a sala de Selly.
- Selly, será que eu posso ir?
- Ir? Demi, falta uma hora ainda.
- É que...  eu não estou me sentindo bem.- o rosto de Demi ficou vermelho, os indicio de um choro estava aparecendo. Tinha sido forte até aquele momento. Porém seu corpo, seu coração e sua mente não aguentariam mais, alias, já não aguentavam. Eu posso terminar essa matéria em casa. Eu tenho toda a semana para isso.- respirou fundo, mas com cuidado para não cair aos pratos. – Selly, por Deus, me deixe ir.
- Tudo bem, Demi. Se alguém perguntar, você diz que está com dor de barriga, pois seria o único motivo para eu deixa-la ir. – Demi riu, mas sem vontade.
- Obrigada. – Demi voltou para sua baia, arrumou as suas coisas e já estava de saída.
- Demi, nosso jantar está de pé ainda? – Joe perguntou alto, pois Demi saia apressada.
- Mais tarde eu te ligo, Joe. – Demi não estava afirmando nem negando o compromisso. Só não sabia se conseguiria sair de casa.
Entrou em seu carro e deu a partida.
Seu coração estava apertado, como se não houvesse ar. Havia um nó horrível em sua garganta que a impossibilitava de falar. E sua mente? Ah, essa parecia que tinha travado no beijo do Wilmer com aquela mulher, no olhar dele ao vê-la e nos sentimentos que tomaram conta dela desde aquele momento.
Demi precisava colocar aqueles sentimentos para fora o quanto antes, mas sozinha, como o destino tinha a deixado. Sozinha era o destino dela. Já não tinha mais o Mike, pois esse havia morrido há alguns anos e Demi decidiu nunca mais comprar um gato. Davam trabalho!

Entrou em casa e sentindo-se aconchegada, sentou na escada e chorou.
Chorou como nunca havia chorado antes. Não era a dor de uma traição, mas o desespero de ter de fazer tudo de novo ou de viver sozinha para o resto de sua vida.
Havia dedicado todos aqueles meses aquele homem que não valia a pena, deixou de falar com o melhor amigo para levar de volta um par de chifres, deixou de ir às festas que costumava ir só para agradar Wilmer, pois gostava de passar um tempo com ela. Entregou-se de corpo e alma a um amor que não durou.
Claro que ela não sabia que não ia durar, mas poderia ter durado. Acreditou que ele era o homem certo para ela.
- Homem certo? – Demi perguntou alto a si mesmo e chorando. – Quando é que eu vou parar de acreditar em conto de fadas? Eu sou uma idiota! – Com essa afirmação. Demi tirou os sapatos e subia às escadas ainda chorando.
Chorava tanto que seu corpo estava amolecido. Não havia percebido, mas tinha ficado mais de uma hora e meia, sentada no degrau da escada chorando.
Entrou no chuveiro para tomar um banho, ouviu de lá o telefone tocar logo lembrou que o celular estava desligado desde o almoço. Não quis demorar no banho, mas também não se apressou para atender ao telefone. Com certeza era Selly querendo saber se ela estava melhor, ou Miley querendo saber por que ela tinha ido cedo... Ou Joe querendo saber se o jantar estava de pé.
Demi não tinha vontade nenhuma de jantar com Joe, mesmo que fosse com Joe e seus filhos, que eram os verdadeiros tesouros dela. Na verdade, sair de casa já estava difícil. Andar, respirar e pensar estava difícil. Ainda mais fingir que esta tudo bem sendo que não estava nada bem.
Demi colocou uma roupa folgada e deitou-se na cama, mas logo levantou lembrando que havia prometido ligar para o Joe. Quando sua mão alcançou o telefone, ele soou fazendo-a sobressaltar na cama.
- Alô. – atendeu com a voz rouca de tanto que estava chorando, pois as lágrimas ainda desciam.
- Oi, Demi. Está melhor? – Era Selly.
Demi queria responder que não, mas se conteve. Não queria ninguém sentindo pena dela, não queria ninguém indo lá e dizer “eu sinto muito”. Até ela sentia muito... Muito ódio de ter acreditado nele.
- Estou Selly. Acho que uma noite bem dormida vai me ajudar ainda mais.
- Que bom! Eu fiquei um pouco preocupada com você. Wilmer vai lhe fazer companhia?
- Não. – respondeu de imediato, mas precisava de uma desculpa. – Ele está numa viagem, não pode vir. Está trabalhando. – Quem dera fosse isso, pensou Demi.
- Oh, Demi! Quer que eu vá aí te fazer companhia?
- Não. – mais uma vez se apressou. – Eu vou ficar bem, na verdade eu vou dormir agora. Se alguma coisa acontecer, eu prometo que te aviso.
- Não fico tranquila de deixar você sozinha, Demi.
- Estou ótima e eu prefiro ficar sozinha.
- Miley está aqui e disse que ela também poderia ficar aí com você, passar a noite quem sabe.
- Não, obrigada! Agradeça a ela e diga que sozinha é melhor.
- Promete ligar se piorar?
- Prometo. Agora, eu vou desligar, tá? Beijos. – desligara o telefone.
Demi chorou novamente, precisava reunir forças para ligar para Joe e cancelar o jantar. Só não conseguia.