sábado, 13 de julho de 2013

Capítulo 19:


O sol estava nascendo e na radio baixinho agora tocava músicas para um bom dia. Demi havia dormido com Joe no sofá, só abraçados. Nada de perverso havia acontecido ali. Só o desabafo de uma mulher para um amigo. Joe mal dormiu, ficou fazendo carinho na sua princesa o tempo todo. Depois que Demi pegou no sono, Joe mandou uma mensagem para Caroline dizendo que Demi estava melhor.
Não se atreveu a levantar do sofá, sabia que se Demi acordasse voltaria a chorar e não dormiria mais. Demorou um bom tempo para ela dormir.
O sol estava tão forte que ao batendo no rosto de Demi, ela acordou. Sentia seu rosto inchado ainda. Olhou para Joe, que estava acordado olhando-a e sorrindo.
- Bom dia! – ela disse e sorriu.
- Bom dia! – e ele retribuiu o sorriso.
- Por que ficou aqui a noite toda? Podia ter ido para o quarto, ou voltado para casa.
- Queria ficar perto de você.
- Obrigada. – Demi beijou a bochecha de Joe e o abraçou. – Você é o melhor amigo que alguém poderia ter.
- Eu que agradeço. Antes de vir achei que você ia me expulsar daqui. Eu estava preocupado com você. – levantaram do sofá. – O dia está bonito hoje. Ótimo para um passeio, o que acha?
- Bom, temos que trabalhar hoje, Joe. – Demi riu, de verdade.
- Não. Eu queria mesmo era te convidar para jantar lá em casa, mas eu estava querendo antes saber como você estava realmente.
- Eu não vou ficar triste para sempre. Já superei! – disse de verdade.
- Tem certeza?
- Tenho. Olha, para mostrar que estou bem, vou aceitar seu convite e ainda vou te convidar para um almoço hoje, mas dessa vez eu pago.
- Tudo bem, então, acordamos, vamos tomar café da manhã, trabalhar, almoçar e jantar juntos? – Demi concordou.
- Só falta dormimos juntos de novo.
- Esse convite é tentador, Joe, mas eu vou recusar. – riram. – Bom, temos pouco tempo. Você ainda tem que levar seus filhos à escola e eles nem devem saber que está aqui.
- É mesmo. Caroline sabe que estou aqui.
- Vai tomar banho, ou pretende trabalhar fedendo? – Joe correu para tomar banho.
Demi começou a preparar o café e realmente não estava tão triste como estava na noite passada. Acostumou-se com a ideia de ficar sozinha, afinal, não devia ser tão ruim assim. Pegou o telefone para ligar para a casa de Joe, talvez Caroline ou Lucas estejam acordados e se não estivessem já estava na hora, afinal, tinham escola.
- Oi. – Demi ouviu a voz rouca de Lucas.
- Lucas, é Demi.
- Oi, tia Demi. Papai não está em casa. – o menino declarou.
- Me dá esse telefone! – gritou Caroline tomando o telefone do irmão que mal tinha acordado. – Tia Demi?
- Oi, Carol!
- Papai está ai com você, não é?
- Sim, pensei que ele tivesse avisado.
- E tinha, mas... Vai saber!
- Bom, eu liguei para vocês acordarem e se aprontarem para a escola, mas venham para cá para tomarmos café da manhã.
- Tudo bem, vou tentar acordar o retardado do meu irmão que está dormindo de novo no sofá.
- Não demorem o tempo não espera.
- Vou levar uma roupa para o papai também.
- Ótima ideia! Espero vocês.
- Tchau, tia Demi. – desligou o telefone.

Joe desceu as escadas com a toalha enrolada no cintura e com outra enxugando os cabelos. Era tentador para Demi e ela sabia que ele fazia isso de proposito, alias, sempre fazia.
- Vai ficar desfilando desse jeito pela casa?
- Não, princesa. Eu vim saber se não tem algo que eu posso usar até eu ir para casa.
- Não precisa correr, seu pai desnaturado. Seus filhos virão para cá e Caroline trará uma roupa para você.
- Ideia sua?
- A roupa foi ideia dela, mas do café é minha. Joe, você pode terminar o café, enquanto eu tomo banho?
- Claro. Vai lá!
Lucas e Caroline chegaram e Demi tinha acabado de tomar banho e se arrumar por completo. A casa de Joe não era longe dali, por isso foram rápidos.
- Vocês dormiram juntos? – perguntou Lucas.
- Lucas! – Carol repreendeu o irmão. Demi e Joe riram.
- Depende do que você está insinuando. – Demi disse. – Joe e eu somos amigos, acha que iriamos dormir do jeito que estão pensando? Joe só foi meu amigo e me ajudou no momento difícil.
- Bom, é que antes você dormiam desse jeito. – disse Lucas levando um beliscão da irmã.
- Como?
- Já que Lucas fez o favor de começar... – Caroline continuou.- Acontece que estamos falando de mais ou menos dois anos atrás. Acham que nós não sabíamos? De repente a tia Demi aparecia para tomar café? Não somos tão ingênuos assim.
Realmente Joe e Demi ficaram desconcertados com aquela informação. Achavam que escondia muito bem, mas na verdade estavam enganados. E muito bem enganados.
- O fato é que essa noite nós não fizemos nada do que essas mentes malignas estão pensando. – Demi disse.
- E eu acho que não deviam pensar nessas coisas estão novos para isso.
- Bom, aí eu tenho que descordar Joe. Eles tem quinze anos. Existem crianças dessa idade que tem filhos.
- Por isso que eles não devem pensar. Olha para mim, Demi. – Joe pediu. – Tenho cara de avô? – riram.
- Não, não tem cara de avô. E melhor que não pensem em fazer sexo! – Demi disse seria. – Vocês ainda podem ficar na fase dos beijos, não há nada mal nisso.
- Sexo só depois do casamento! – disse Joe sério.- E quando digo casamento, estou falando de algo para daqui a vinte anos ou mais.
- Esse assunto, está me deixando nauseada pela manhã. – disse Caroline. – Tudo culpa do Lucas! – deu “pedala” no irmão.
Alguns minutos mais tarde, Joe estava se preparando para levar seus filhos a escola.
- Demi, vamos no mesmo carro. Iremos fazer tudo juntos mesmo. – disse e Demi aceitou a carona.



Capítulo 18


Na casa de Joe, Caroline estava entre o desespero e o arrependimento. O que ela deveria fazer agora? Era culpa dela Demi ter visto Wilmer, mas ela parecia tão tranquila, pensava Carol.
Talvez ela nem ligasse para traição, ou talvez não gostasse de Wilmer e por isso não ligou. Será que eles já conversaram? Será que Demi estava bem? Ela se fazia milhares de perguntas e não conseguia pensar em nenhuma resposta que não fosse um “talvez”.
- O que aconteceu Caroline? – perguntou o pai da garota vendo seu nervosismo desde a hora que ele chegou.
- Demi vem jantar aqui? – perguntou a menina esperançosa.
- Bom, no almoço ela disse que viria, mas depois ela disse que ia me ligar. Eu não sei, meu anjo. Por acaso quer conversar com ela?
- Não, não é isso. É que... – Será que devia contar ao pai? Ou Demi ficaria magoado por ter contado um segredo. Ela não pediu segredo, mas o certo era não contar ou seria fofoca. – Esquece, pai!
- Querida, eu sei que sou homem e seu pai e por isso é difícil para você me contar as coisas, mas você pode confiar em mim.
- Eu sei que eu posso, pai.- a menina respirou fundo sussurrando um “Espero que Demi me perdoe!” e depois perguntou. - Você e Demi voltaram a ser amigos?
- Tudo indica que sim.
- Então, se eu te contasse uma coisa dela, tipo um segredo, ela iria ficar zangada.
- Depende, meu bem.
- Bom, como posso explicar... Papai, eu estou preocupado com ela. Lembra-se da conversa que você Lucas e eu tivemos?
- Claro que lembro, sobre o namorado dela e traição.
- É... Você disse que ela só acreditaria se visse com os próprios olhos. Bom, isso aconteceu. Hoje no almoço quando Demi eu fomos ao banheiro, ela viu Wilmer aos beijos com uma mulher loira.
- O que ela fez? Por que ela não disse nada?
- É isso que me deixa preocupada, papai. De alguma forma, eu sei o que ela está mal, mas ela não mostrou isso nem no momento que ela viu. Isso me preocupa! Eu não sei se ela se fez de boba, ou se ela queria ser forte na minha frente... Estou preocupada com ela.
- Por isso, que ela saiu mais cedo hoje.- Joe parecia juntar algumas peças. – E provavelmente, não vem ao jantar, Carol. – Joe pareceu lembrar de algo e depois praguejou.- De novo!
- O que foi, papai?
- Carol, será que você e seu irmão podem ficar sozinhos um tempo?
- Se for para ir atrás da tia Demi e me dar notícia, podemos. Mas se for para ir atrás daquela va... Daquela sua namorada, não podemos.
- Ashley e eu terminamos ontem.
- Sério? – perguntou a menina contente. – Juro que foi a melhor coisa que você fez. – Caroline olhou para seu pai. – O que está fazendo aí parado? Vá logo atrás da tia Demi, veja se ela está bem e me dê noticias. – Joe riu.
- Olha, tem comida pronta na geladeira e só colocar no micro-ondas. Não mecham no fogo, ouviu?
- Tá achando que eu tenho dez anos?
- Não, mas é melhor prevenir. - Joe saiu.

Demi estava no seu quarto andando de um lado para o outro, não chorava mais, mas estava muito abatida. Sentia falta de uma coisa que ela sabia muito bem o que era: seu companheiro de todos os momentos tristes: o vinho.
Já havia parado de bebê-lo há muito tempo, quando percebeu que estava ficando dependente dele, mas naquele momento era o que ela precisava. Dele ou talvez de uma bebida mais forte. Ninguém se importaria, alias ninguém se importa com o que ela faz da vida dela. Precisava mesmo era de sua mãe naquele momento.
Tirou aquela blusa folgada e colocou uma mais apropriada para ir ao mercado de seu bairro. Colocou um casaco que era conjunto da calça de moletom que ela usava, alcançou um óculos qualquer, só para ninguém ficar olhando seus olhos inchados e avermelhados, pegou as chaves entrou no carro e deu a partida.
Não demoraria nem três minutos, mas andar não era o que ela queria naquele momento.
No mercado, tentou ficar despercebida, mas ela mesma sabia que isso seria impossível. Era tão simpática e amável que todos que trabalhavam naquele mercadinho a conhecia.
Na seção de bebidas pegou quatro garrafas de vinho, era muito, mas ela não queria voltar tão cedo. Depois, teve vontade de pegar os chocolates, mas... se conteve ao máximo. Não precisava copiar os filmes, só o vinho estava ótimo.
- Olá, Demi!
- Oi. – Demi respondeu somente.
- Como está? – porque todo mundo fazia a mesma pergunta?
- Bem. – Demi pegou a sacola e saiu rápido do mercado antes que alguém a visse.

Entrou em casa e pegou a taça, abriu uma garrafa e solveu um pouco de vinho na taça. Bebeu numa golada só para matar a saudade e depois colocou mais um pouco e foi para sala. Não tinha mais vontade de chorar, nem de ver tevê. De certo, o vinho ajudou bastante. Ligou o som na radio de sempre e sentou no sofá com as pernas sobre a mesa de centro e deitou a cabeça para trás. O som estava estupidamente alto cantando uma música agitada. Ela não sabia quem eram os cantores, era uma banda com certeza, e nem tinha ouvido a musica. Prestou a atenção na música para poder se distrair, mas a música falava de sonhos e incertezas. E uma lágrima resolveu descer.
Joe estacionou o carro na frente da casa dela, ouvindo aquela música alta. Demi devia estar péssima, pensou Joe.
Ele tocou a campainha, mas o som estava muito alto, ela não ouviria e se ouvisse não ia atender. Joe girou a maçaneta e a porta só estava encostada. Entrou e viu só a cabeça ruiva de Demi deitada no sofá, aproximou-se devagar e viu o que tinha em mãos, o vinho que tanto lutou para largar.
- Demi. – Joe chamou, mas ela não ouviu. O som estava muito alto. Nem ele ouvia sua voz.
Ele se aproximou do som e o abaixou. Agora parecia sussurro. Demi olhou para Joe, mas não assustou com a presença repentina dele.
- O que houve, minha princesa? – ela sabia que não podia mentir, não para o Joe. – Está tão triste... O que fizeram com você?- Joe sentou ao lado dela, e ela deitou a cabeça em seu colo. Ele fez carinho sentindo-a soluçar.
Mesmo negando a ajuda de todos e dizendo que estava bem, com Joe era diferente. Ele era diferente, ele saberia e a ajudaria sem sentir pena.
- Caroline me contou o que você presenciou hoje. – Demi levantou e olhou para Joe. – Sabe que pode contar comigo sempre não sabe?
- Sei. – foi a primeira vez que Joe ouviu aquela voz tão chorosa e sofrida. – Eu não quero mais chorar, mas eu não consigo parar, Joe.
- Se você desabar você consegue parar.
- Não sei se eu consigo. Estou sentindo tanta coisa que ao mesmo tempo não sinto nada. – Demi tomou o resto do vinho que estava na taça. – Parece que tudo acabou, Joe. Era minha última esperança e se foi... Eu nasci para ficar sozinha. Eu devo merecer isso. Esse é o meu destino, viver para sempre sozinha.
- Não deve ser assim. Deve ter uma pessoa, mas vocês devem ter dificuldade para se encontrar, mas um dia isso vai acontecer e vocês vão ser felizes.
- A felicidade tem medo de mim, Joe. Quando eu tenho algo que pode me fazer feliz, ela simplesmente vai embora sem se importar com o que eu sinto. – ela respirou fundo. – Desde a minha adolescência, Joe. Aqueles garotos nunca quiseram um compromisso serio, enquanto eu dava tudo de mim para dar certo e depois que ele conseguiam o que queriam, iam embora. Acho que eu já sofri de mais, sabe? Não sei porque não parei de tentar ainda.
-  Não parou de tentar, porque você não perdeu as esperanças e não vai perder.
- Vou perder sim, Joe. Eu tenho trinta e cinco anos e meu período de fertilidade está acabando. Até eu encontrar esse homem que você disse que está me esperando... Já vai ser tarde de mais.
- Você está assim, só porque não pode ter um filho? – Joe perguntou.
- Sim, quer dizer, mais ou menos. Já conversamos sobre isso, Joe. Meu sonho é ter uma família, ter filhos brincando no quintal da minha casa e ser feliz com meu marido. Há essa altura, eu desisti. Não tem mais salvação para mim. Minha ginecologista me disse que tenho pouco tempo. – uma lágrima caiu e Demi a limpou. – Eu ia conversar com Wilmer e ia saber se ele gostaria de ter filhos, iriamos tentar. Só que... ele nunca me deixava tocar nesse assunto. Sempre dizia que era perda de tempo, pois já estávamos velhos para isso. – outra lágrima rolava nos olhos dela. – Nem pensar em casar ele deve ter pensado.- e caiu mais outras lagrimas acompanhadas. - Não estou chorando por ele, Joe. Estou chorando por não conseguir ser feliz e fui ingênua o suficiente para qualquer homem poder me enrolar, entende? – disse de repente. - Não sei mais se eu o amava.
- Não diz isso. Você está confusa agora e com raiva dele. – Demi não disse nada, concordando com o que ele dizia. – Ainda tem tempo para ter filhos, Demi. – ele a abraçou.


Capítulo 17:



Quando faltavam quinze minutos para às seis, Demi sabia que não aguentaria mais. Foi até a sala de Selly.
- Selly, será que eu posso ir?
- Ir? Demi, falta uma hora ainda.
- É que...  eu não estou me sentindo bem.- o rosto de Demi ficou vermelho, os indicio de um choro estava aparecendo. Tinha sido forte até aquele momento. Porém seu corpo, seu coração e sua mente não aguentariam mais, alias, já não aguentavam. Eu posso terminar essa matéria em casa. Eu tenho toda a semana para isso.- respirou fundo, mas com cuidado para não cair aos pratos. – Selly, por Deus, me deixe ir.
- Tudo bem, Demi. Se alguém perguntar, você diz que está com dor de barriga, pois seria o único motivo para eu deixa-la ir. – Demi riu, mas sem vontade.
- Obrigada. – Demi voltou para sua baia, arrumou as suas coisas e já estava de saída.
- Demi, nosso jantar está de pé ainda? – Joe perguntou alto, pois Demi saia apressada.
- Mais tarde eu te ligo, Joe. – Demi não estava afirmando nem negando o compromisso. Só não sabia se conseguiria sair de casa.
Entrou em seu carro e deu a partida.
Seu coração estava apertado, como se não houvesse ar. Havia um nó horrível em sua garganta que a impossibilitava de falar. E sua mente? Ah, essa parecia que tinha travado no beijo do Wilmer com aquela mulher, no olhar dele ao vê-la e nos sentimentos que tomaram conta dela desde aquele momento.
Demi precisava colocar aqueles sentimentos para fora o quanto antes, mas sozinha, como o destino tinha a deixado. Sozinha era o destino dela. Já não tinha mais o Mike, pois esse havia morrido há alguns anos e Demi decidiu nunca mais comprar um gato. Davam trabalho!

Entrou em casa e sentindo-se aconchegada, sentou na escada e chorou.
Chorou como nunca havia chorado antes. Não era a dor de uma traição, mas o desespero de ter de fazer tudo de novo ou de viver sozinha para o resto de sua vida.
Havia dedicado todos aqueles meses aquele homem que não valia a pena, deixou de falar com o melhor amigo para levar de volta um par de chifres, deixou de ir às festas que costumava ir só para agradar Wilmer, pois gostava de passar um tempo com ela. Entregou-se de corpo e alma a um amor que não durou.
Claro que ela não sabia que não ia durar, mas poderia ter durado. Acreditou que ele era o homem certo para ela.
- Homem certo? – Demi perguntou alto a si mesmo e chorando. – Quando é que eu vou parar de acreditar em conto de fadas? Eu sou uma idiota! – Com essa afirmação. Demi tirou os sapatos e subia às escadas ainda chorando.
Chorava tanto que seu corpo estava amolecido. Não havia percebido, mas tinha ficado mais de uma hora e meia, sentada no degrau da escada chorando.
Entrou no chuveiro para tomar um banho, ouviu de lá o telefone tocar logo lembrou que o celular estava desligado desde o almoço. Não quis demorar no banho, mas também não se apressou para atender ao telefone. Com certeza era Selly querendo saber se ela estava melhor, ou Miley querendo saber por que ela tinha ido cedo... Ou Joe querendo saber se o jantar estava de pé.
Demi não tinha vontade nenhuma de jantar com Joe, mesmo que fosse com Joe e seus filhos, que eram os verdadeiros tesouros dela. Na verdade, sair de casa já estava difícil. Andar, respirar e pensar estava difícil. Ainda mais fingir que esta tudo bem sendo que não estava nada bem.
Demi colocou uma roupa folgada e deitou-se na cama, mas logo levantou lembrando que havia prometido ligar para o Joe. Quando sua mão alcançou o telefone, ele soou fazendo-a sobressaltar na cama.
- Alô. – atendeu com a voz rouca de tanto que estava chorando, pois as lágrimas ainda desciam.
- Oi, Demi. Está melhor? – Era Selly.
Demi queria responder que não, mas se conteve. Não queria ninguém sentindo pena dela, não queria ninguém indo lá e dizer “eu sinto muito”. Até ela sentia muito... Muito ódio de ter acreditado nele.
- Estou Selly. Acho que uma noite bem dormida vai me ajudar ainda mais.
- Que bom! Eu fiquei um pouco preocupada com você. Wilmer vai lhe fazer companhia?
- Não. – respondeu de imediato, mas precisava de uma desculpa. – Ele está numa viagem, não pode vir. Está trabalhando. – Quem dera fosse isso, pensou Demi.
- Oh, Demi! Quer que eu vá aí te fazer companhia?
- Não. – mais uma vez se apressou. – Eu vou ficar bem, na verdade eu vou dormir agora. Se alguma coisa acontecer, eu prometo que te aviso.
- Não fico tranquila de deixar você sozinha, Demi.
- Estou ótima e eu prefiro ficar sozinha.
- Miley está aqui e disse que ela também poderia ficar aí com você, passar a noite quem sabe.
- Não, obrigada! Agradeça a ela e diga que sozinha é melhor.
- Promete ligar se piorar?
- Prometo. Agora, eu vou desligar, tá? Beijos. – desligara o telefone.
Demi chorou novamente, precisava reunir forças para ligar para Joe e cancelar o jantar. Só não conseguia.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Capítulo 16



(Capítulo dedicado à Luh)


No carro tentavam conversar como antes. Caroline e Lucas faziam o possível para isso acontecer.
- Como foi com o tal do Arthur na escola, Carol? – perguntou o pai da garota.
- Foi estranho... Primeiro, ele não queria nem olhar para mim, mas depois ele me pediu desculpas na frente de todos. Disse que tinha sido um imbecil e que tinha bebido muito no dia da festa.
- Isso não justifica o que ele fez. Posso até concordar que quando bebemos fazemos coisas que jamais faríamos sóbrios, mas ele tinha algo em mente. – disse Demi.- Ele não ia pegar o carro escondido só para ir à festa.
- É... Demi tem razão. – Joe disse. - No mínimo devia ter achado que Caroline era uma dessas garotinhas qualquer e bebeu para conseguir chama-la para ir nesse lugar e quando você negou, mexeu com ele.
No mesmo instante, Demi lembrou-se que isso já tinha acontecido com ela uma fez. James Carter fizera o mesmo com ela. Alias, não tinha sido a primeira vez e também não foi a última. Esse ato se fez outras vezes.
- O importante é que ele se arrependeu e a Caroline perdoou. - Demi disse. – Carol, você precisa ficar de olho nos meninos. Eles sempre acham que as mulheres são só um brinquedo sexual, então, tem que ficar atenta. É provável que isso aconteça mais vezes, mas não se esqueça de que estaremos sempre com você.

Almoçaram no shopping por insistência de Caroline e Lucas. Os dois queriam ajudar Demi, mas não passaram muito no que estavam fazendo.
Wilmer era gerente da maior loja do shopping. Demi até pensou em dar uma passadinha lá e conversar com o namorado, mas se ele não queria conversar, ela que não iria correr atrás como um cachorrinho. Não dessa vez, pensou Demi.
- Está um pouco distante, Demi. Aconteceu alguma coisa? – perguntou Joe, percebendo que Demi comia pouco e estava um pouco distante da conversa.
- Não. – Demi disse. – Por que acham isso? – os três continuaram olhando-a. Provavelmente sabiam que ela estava mentindo. Era fácil saber quando Demi mentia. Os olhos dela não se fixavam, ela os mexiam freneticamente e ficava tensa. – Tudo bem, eu só estou cansada. Eu estou com dificuldade de fazer essa matéria e... É isso. Estou trabalhando até em casa, mas só consegui escrever uma frase. Nem a introdução eu estou conseguindo e o tempo está passando.
- Eu fiquei sabendo que sua matéria é a principal. – Joe disse a deixando mais nervosa. - Sobre o que é?
- Traição. – Caroline e Lucas se olharam.
De fato isso acontecia, Demi não conseguia escrever mais uma linha há dias, mas não era só isso que a deixava daquele jeito.
Descobrira recentemente que gosta de Joe ainda, mas também gostava de Wilmer. Como isso era possível. Se a matéria que ela tinha que escrever fosse de triangulo amoroso, ela sabia o inicio, o meio e o fim, mas... Traição? Demi nunca fora traída, sempre terminava por outros motivos, quer dizer, sempre o mesmo: seu sonho. Aquele cara que não queria um relacionamento sério, ela largava.
Com Wilmer foi diferente, ela estava apaixonada por ele.
-  Bom, eu posso te ajudar se você quiser, Demi. – Joe disse. – Eu conheço esse assunto. E também fiz uma vez uma matéria sobre isso. Foi quando eu entrei na revista, mas acho que pode te ajudar.
- Adoraria, Joe. – Demi disse sincera, mas não tinha certeza se seria uma boa ideia mesmo.
- Já foi traído, pai? – perguntou Caroline.
- Sim, filha... Umas milhares de vezes. Com certeza, é uma das piores sensações do mundo.
- Como foi?- se interessou Lucas. – Só para ajudar Demi.
- Bom, traição não é só quando você pega a pessoa que você gosta com outra pessoa. Traição, para mim, tem outras formas de acontecer. Por exemplo, quando você confia em uma pessoa conta um segredo e ela o traiu contando para o resto. Quando você acha que aquela pessoa vai ser para sempre um amigo e ela, simplesmente, vai embora, isso também é traição.  Existem muitas formas de traição...  – Joe tinha mandando uma indireta para Demi, pois ela havia traído seu amigo quando não quis ouvi-lo, mas Joe já tinha perdoado. - Demi, você podia jantar lá em casa hoje, o que acha?
- Pode ser... Com licença, eu vou ao banheiro. - Demi levantou.
- Ah, eu vou com você, tia Demi. – declarou Caroline enquanto levantava e acompanhava Demi.
As duas conversavam e iam em direção ao banheiro daquele andar. Caroline foi a primeira a ver Wilmer com uma loira, mas achou que assim seria a melhor forma de Demi acreditar e largar de vez aquele homem. Depois, Demi acompanhou o olhar de Carol. Eles só estavam conversando e Demi pensou não ser nada de mais, mas de repente Wilmer enlaçou o pescoço da garota e a beijou. Demi parou e ficou olhando incrédula.
Jamais pensou em ver uma cena daquela. Era muita falta de sorte.
- Tia Demi! – chamou Caroline acordando-a. – Vamos voltar. – disse numa voz compreensiva.
- Não, Carol. Nós vamos ao banheiro, não vamos? – Demi pegou na mão de Caroline e andou na direção do banheiro como não tivesse visto Wilmer ali, como se ele não existisse, como se ela não o conhecesse. Passou ao lado dele e ele a viu.
Entrou no banheiro e se olhou no espelho. Não ia chorar, não ali e naquela hora. Se fosse sofrer, sofreria em casa e sozinha. Tudo já estava muito difícil para ela começar um drama no banheiro ao lado de Caroline.

Quando voltaram, Wilmer não estava mais ali, mas ligou inúmeras vezes para o celular de Demi. Ela aproveitou e o desligou.
- Vamos! – Joe levantou os chamando para ir.
- Vou pagar o meu almoço.
- Não se preocupe, eu já peguei. – disse Joe. Demi pegou a carteira querendo dar o dinheiro ao Joe, mas ela colocou a carteira de volta na bolsa dela.
- Obrigada Joe.

Demi falava e agia como se nada tivesse acontecido. Caroline estava pensando que Demi estava se fazendo de boba. Será que o amor dela era tanto a ponto de fazer isso?

Joe levou Lucas e Caroline para casa, quando se despediam de Demi...
- Tia Demi, você tem certeza que está bem? – perguntou Caroline receosa.
- Claro, Caroline! Está tudo ótimo. – Óbvio que Demi mentia. – Nos vemos no jantar hoje a noite.
No caminho, Joe aproveitou para se desculpar.
- ... Eu sei que eu não devia...
- Joe, não precisa dizer mais nada. Eu te entendo faria o mesmo. Eu que me comportei feito uma idiota. – foi quando Joe estacionou o carro. Demi beijou a bochecha dele.- Obrigada, Joe.
Aquele agradecimento não tinha sido pela carona e pelo almoço pago. Foi por ele ter sido  o melhor amigo, enquanto ela não queria.
Os dois entraram conversando amigavelmente. Quando o elevador abriu, deram de cara com Ashley. Ele soltou a respiração como se não acreditasse no que estava vendo.
- Ashley, eu sei que está sendo difícil para você, mas... Não dá mais para continuar, você sabe. Já conversamos sobre isso milhares de vezes. – Demi sabia que a conversa era particular e por mais que quisesse ouvir Joe dar o fora em Ashley, resolveu ir até a sua baia e começar seu trabalho.
Tinha que ser justo traição? Demi se perguntou quando a segunda frase era sendo iniciada em seu computador. Ninguém sabia o esforço tremendo que Demi estava fazendo para não cair aos prantos ali. Tinha confiado numa pessoa que não merecia nem uma molécula de confiança.
Já podia fazer sua matéria sem a ajuda de Joe, mas teve que pagar um preço muito caro para isso.
Demi não via a hora de poder ir embora. Conversava e sorria normalmente, mas a verdade é que por dentro ela estava de frente com a solidão e a tristeza.

Continua...


Uau! A Demi estava tentando mostrar-se firme e forte, como toda e qualquer mulher feminista, mas isso não vai durar por muito tempo.
Deem sugestões sobre o que vai acontecer a seguir.
O próximo capítulo será dedicado a uma pessoa especial, por isso, sem brincadeira hoje.
Dependendo do número de comentários, eu posto ainda essa semana. Tem muito o que acontecer!
Se você deseja participar do grupo “Espaço das Leitoras” procure por Bárbara Barbosa Dornelas

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Capítulo 15:

(Dedicado às meninas do grupo "Espaço das Leitoras"
Quem quiser entrar é só seguir aqui.)


Naquela mesma noite, Caroline e Lucas tramaram uma armação contra Wilmer. Isso envolvia todos os amigos. Era fácil ver Wilmer com outra, só que infelizmente era no mesmo horário que Demi estava trabalhando. Wilmer era esperto sabia enganar uma mulher.

Era segunda-feira, Demi não havia falado com Wilmer desde sábado quando ela o mandou embora por causa de Caroline.
Chegou ao prédio da revista muito abatida, mas melhorou assim que viu suas amigas. Foi à baia terminar sua matéria. Durante aqueles dez anos a revista tinha crescido muito e, agora era conhecida por todo país.
Demi estava digitando e nem percebeu que Joseph estava se aproximando.
- Demi. –a chamou. Ela olhou, mas não acreditava que ele estava falando com ela. – Eu gostaria muito de conversar com você, aceitaria almoçar comigo?
- Desculpe Joe, mas eu combinei de almoçar com outra pessoa. – Joe parecia não acreditar, então, ela continuou. – Se quiser podemos conversar mais tarde. Depois do trabalho, eu não tenho nada marcado. – disse brincando.
Logo Joe pensou que seria fácil Demi o desculpar. Demi já queria fazer isso há tempos, mas tinha medo de Wilmer achar ruim. Como estava chateada com ele faria o que quisesse.
De fato, ela encontraria outra pessoa na hora do almoço. Jantaria com Caroline. Na noite passada, a adolescente ligara para tia querendo marcar o almoço. Demi até o convidaria, mas talvez o assunto de Carol fosse mais intimo, de amigas.

Faltavam trinta minutos para  horário de almoço, Demi estava exausta e doida para almoçar. Não via a hora de estar com Caroline.

Caroline estava entrando no prédio, todos já a conheciam, pois seu pai trabalhava ali e ela sempre ia lá. Ainda estava de uniforme, tinha acabado de sair da escola e foi direto para lá.
- Oi. – Ashley tentou cumprimenta-la, mas a menina fingiu não ouvir. Não era segredo para ninguém que Caroline detestava Ashley.
- Oi minha querida. – disse Joe abraçando e beijando o rosto da filha. - Veio buscar seu pai para almoçar?
- Hum... Não. Eu vou almoçar com a Demi.
- Com a Demi?
- Sim. Por quê?
- Por nada... Eu só... Esquece! Demi vai adorar te ver.
- Lucas deve chegar a qualquer momento, ele disse que iria almoçar com você.
- Por que ele não veio direto para cá?
- Ah, eu não sei!- a menina deu de ombros. - Vou ver a Demi!

A garota andou em direção a baia de Demi que não era tão distante dali.
- Oi, meu amor! – Demi levantou para abraçar e beijar o rosto da garota. – Como você está?
- Bem... Eu vim te buscar para almoçarmos.
- Está com fome? Eu tenho que esperar meia hora ainda. Chegou um pouco cedo. – elas riram.
- É porque eu vim direto da escola, não queria vir de ônibus junto com o pessoal, aí eu vim a pé.
- Por causa do Arthur?
- Mais ou menos.
- Se importa de esperar um tempo?
- Não.

A meia hora de que precisam passou e Demi estava pegando seu casaco para sair com Caroline quando Lucas chegou.
- Oi Demi! – Luc esqueceu completamente do pai e foi abraçar Demi.
- Como você está?
- Ótima e você?
- Estou bem.
- Por que não veio com Caroline? – perguntou Demi desconfiando de alguma coisa.
- Eu não vi Caroline sair da escola. - disse olhando a menina que tentava mandar alguns códigos atrás da Demi, algo como “juntos”. Lucas não conseguia compreender. – Eu vim para almoçar com meu pai.
- Pois passou perto de mim e nem falou comigo, rapaz. Esqueceu-se de seu pai! – Joe disse fingindo-se de bravo.
- Desculpe, pai. Eu queria cumprimentar Demi antes de irmos.
- Ah, eu tive uma ideia! – disse Caroline mostrando entusiasmo. – Por que não vamos almoçar todos juntos? Eu já ia com Demi e Lucas e papai já iam juntos.
- Amei a ideia, Carol. – disse Lucas só agora entendendo os sinais que a irmã tentava passar.
- Por mim, tudo bem. – disse Joe dando de ombros.
- Então vamos. – disse Demi.
- Amorzinho.- Ashley chamou e Joe fez uma careta engraçada. Lucas e Caroline não conseguiram segurar a risada, Demi queria rir, mas se conteve. – Vamos almoçar juntos?
- Não, Ashley! Vou almoçar com os meus filhos.
- Ótimo, podemos almoçar como uma família feliz.
- Não somos uma família! – disse Carol em voz alto e brava.
- Amorzinho, você está ouvindo isso?
- Claro. E concordo com Caroline, você não faz parte da minha família. Por favor, não me chame mais de “Amorzinho”!
- Joseph! – gritou brava.
- Ashley, com licença! Estávamos de saída. – disse Joe passando por Ashley e logo atrás seus filhos e Demi.

No estacionamento aconteceu uma coisa engraçada, Caroline seguiu Demi para entrarem no carro dela, e Joe e Lucas no carro de Joe.
- Vamos separados? – perguntou Lucas rindo.- Pensei que fossemos almoçar no mesmo lugar.
- Vamos no carro do papai, Demi? – pediu Caroline, querendo reaproxima-los.
- Se for melhor assim. – Demi disse.
Todos entraram no carro, nem é preciso dizer que Ashley os viu saindo do estacionamento, porque ela viu e não ficou nada contente. Tinha um amor platônico por Joe.

Continua...


Oi meus amores!
Não me matem!

Vamos brincar?
O que acontece no próximo capítulo? Quem acertar ganha uma dedicação no capítulo 16, mas precisa acertar de primeira e não vale mais escolher 2 (DOIS) só pode escolher uma alternativa. Quem comentar na frente ganha!

a)   Demi e Caroline veem Wilmer com uma mulher loira.
b)   Demi e Joe veem Wilmer com uma mulher ruiva.
c)    Demi e Lucas veem Wilmer com uma mulher morena.
d)   Lucas caí da escada rolante e Demi se desespera.
e)   Joe e Demi se beijam e Wilmer os vê.

(Ruh, eu arrumei!)